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segunda-feira, 9 de junho de 2025

Ideologia e o molde da realidade

A ideologia é um conjunto de ideias e valores que guia a forma como as pessoas veem o mundo. Ela influencia desde decisões políticas até opiniões pessoais, definindo o que consideramos certo ou errado. No entanto, quando essas crenças se tornam rígidas e baseadas no orgulho, podem criar conflitos profundos, transformando diferenças em inimizades.

Muitas vezes, a ideologia é usada para justificar ações, seja para unir grupos ou para atacar outros. Quando baseada em egoísmo ou vaidade, ela pode levar a uma distorção da realidade, fazendo com que pessoas e sociedades defendam mentiras como se fossem verdades absolutas. Isso gera uma "cegueira" que impede o diálogo, pois cada lado se vê como dono da razão e rejeita qualquer compromisso.

Além disso, a ideologia está por trás do poder. Ela determina como uma sociedade é organizada e quem deve governar. O problema surge quando essa visão se torna doentia, levando a injustiças e perseguições em nome de uma suposta causa justa. Conflitos ideológicos, como guerras e polarizações políticas, são difíceis de resolver porque não envolvem apenas interesses, mas identidades e crenças profundas.

Para evitar esses extremos, é preciso questionar as ideologias, reconhecendo seu poder, mas também seus perigos. O pensamento crítico ajuda a separar o que é verdadeiro do que é manipulação, permitindo que as pessoas vivam em harmonia, mesmo com visões diferentes. No fim, o desafio é usar as ideias para construir, não para destruir.

quarta-feira, 21 de maio de 2025

A política e a crise na democracia

A capacidade de alcançar corações e mentes é uma das habilidades mais poderosas na política. Encontrar pontos comuns entre as pessoas e entender os anseios da sociedade são estratégias fundamentais para quem busca influência. No entanto, quando essas técnicas são utilizadas de forma manipuladora, o inconsciente coletivo pode ser moldado por narrativas que exploram medos e divisões, em vez de promover o diálogo e o bem comum.

Um dos exemplos mais marcantes dessa engenharia de comunicação é a estratégia utilizada pelo consultor político Arthur Finkelstein, que assessorou figuras como Viktor Orbán, Benjamin Netanyahu e Donald Trump. Sua tática consistia em "dar um rosto ao inimigo", criando um adversário comum – no caso de Orbán, o financiador George Soros – para unir eleitores em torno de um sentimento de ameaça. Essa abordagem, baseada na teoria do medo, demonstra como palavras específicas, direcionadas a grupos específicos, podem gerar pânico e, ao mesmo tempo, apresentar o próprio líder como a única solução possível. Essa manipulação não é apenas uma questão de discurso, mas de controle das massas, onde a emoção supera a razão.

No entanto, há uma grande diferença entre a teoria e a prática. Enquanto a retórica do medo pode ser eficaz a curto prazo, ela mina a confiança nas instituições e fragiliza a democracia. Atualmente, vive-se uma crise de identidade democrática, onde partidos tradicionais, como o PSDB no Brasil, entram em colapso por não conseguirem renovar suas lideranças ou conectar-se com as novas gerações. O eleitor, muitas vezes desorientado quanto às funções de deputados e vereadores, acaba buscando referências em influencers e personalidades midiáticas, em vez de avaliar propostas e competências.

Surge então uma questão ética: é moralmente aceitável escolher candidatos com base em sua popularidade instantânea, em vez de sua capacidade real de governar? Embora não seja ilegal, essa prática reflete um esvaziamento da política, onde o espetáculo prevalece sobre a substância. Além disso, em momentos de queda de popularidade, alguns líderes recorrem a estratégias de guerra – reais ou simbólicas – para reacender o apoio da base, uma tática perigosa que coloca interesses pessoais acima da estabilidade social.

Outro grande desafio é a dificuldade de se construir um projeto de país consistente. A política de curto prazo, marcada por acordos imediatistas, impede reformas estruturais. Governos de coalizão, embora necessários em sistemas multipartidários, muitas vezes se limitam a resolver o urgente, sem planejar o futuro. O que falta, portanto, é um pacto nacional que transcenda interesses individuais e partidários, priorizando o desenvolvimento sustentável e a coesão social.

Em síntese, a política contemporânea oscila entre a manipulação das emoções e a falta de um rumo claro. Enquanto líderes exploram o medo para se manter no poder, a democracia sofre com a desinformação e a superficialidade. Para reverter esse cenário, é essencial resgatar a ética na comunicação política, fortalecer as instituições e exigir dos cidadãos uma participação mais crítica e consciente. Só assim será possível construir uma governança que una, em vez de dividir, e que pense no amanhã, em vez de apenas no agora.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O talento escondido

Em um organismo social, antes de qualquer compreensão sobre as expressões individuais, está a necessidade primordial de respeito ao que é coletivo. Esse respeito é a base para a modificação positiva do ambiente. Sem ele, abre-se espaço para a desarmonia e a destruição.

Quando muitos se afastam dessa obrigação, forças contrárias emergem. Essas forças, exemplificadas pela violência, pelo medo e pela perda de objetivos, geram uma profunda crise de identidade coletiva.

A ausência de elementos que deveriam cumprir seus papéis deixa lacunas que são preenchidas por propostas diferentes daquelas fundamentadas nos mecanismos racionais e científicos contemporâneos. Esse vazio, frequentemente, é ocupado por ideias sedutoras, mas perigosas. Um exemplo trágico disso foi o que ocorreu na década de 1940, quando o ideal de valorização de uma raça e a segregação de outras resultaram nos horrores dos campos de concentração, marcando uma das páginas mais tristes da história da humanidade.

Isso não significa que o conhecimento externo deva ser priorizado em detrimento do autoconhecimento. Como bem expressa o ensinamento "Conhece-te a ti mesmo", o trabalho interior é essencial. Contudo, é preciso reconhecer que um ambiente minimamente estável e estruturado é indispensável para que esse autoconhecimento seja possível. Como diz o ditado popular: "Saco vazio não para em pé".

Sem atender às necessidades básicas, torna-se impossível suprir as demandas superiores. Porém, o que vemos é uma inversão de valores, onde essas necessidades primordiais são negligenciadas. O resultado é a perpetuação de anomalias que ameaçam destruir nossa humanidade.

O problema é ainda mais grave porque aqueles que possuem maior capacidade de promover mudanças muitas vezes se isolam em uma realidade desconectada da maioria. Vivem um mundo de ilusões, alheios às dificuldades reais, investindo tempo e energia em ações que não promovem o bem coletivo.

A segregação persiste. Aqueles que deveriam ser verdadeiros servidores da sociedade acabam se tornando exploradores das massas.

Mesmo entre os povos que poderiam acolher os mais necessitados, falta uma visão de solidariedade sustentável. A acolhida, ainda que temporária, poderia ser um caminho para equipar refugiados com ferramentas que permitissem a reconstrução de suas próprias nações no futuro. Contudo, em vez disso, erguem-se muros sob o pretexto de proteger economias nacionais, deixando de lado a responsabilidade humanitária.

A solidariedade, exaltada na filosofia, na religião, na política e na ciência, ainda está longe de se consolidar como força real contra o orgulho e o egoísmo exacerbados por um sistema capitalista predatório. O resultado é uma sociedade onde o sorriso de poucos se constrói sobre as lágrimas de muitos.

Estamos à beira de uma situação alarmante, mas ainda há possibilidades de mudança. Essa transformação, entretanto, exige sacrifícios de todos, especialmente daqueles que possuem mais recursos para contribuir, independentemente da forma como essas contribuições possam se expressar.

Como reflexão final, trago as palavras do filósofo italiano Pietro Ubaldi:

"Tendes, ó homens, a liberdade de vossas ações, nunca a de suas consequências. Sois senhores de semear alegria ou dor em vosso caminho, e não o sois de alterar a ordem da vida. Podeis abusar, porém, se abusardes, a dor reprimirá o abuso. De cada um de vossos males, fostes vós mesmos que semeastes as causas."

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Mensagem de Natal 2015

Queridos Irmãos e Irmãs,

Chegamos ao final de mais um ano e, mais uma vez, nos aproximamos da véspera do Natal, um momento que, independentemente das nossas crenças pessoais, representa a renovação da esperança. O nascimento do menino Jesus é, acima de tudo, um convite à reflexão e à transformação interior.

Este é um tempo em que a fraternidade se expressa de forma mais intensa, e a boa vontade se torna mais visível. É o ambiente ideal para que possamos nos unir em simples gestos de carinho, como um abraço sincero ou um “muito obrigado” enviado, seja por palavras ou por mensagens. Esses gestos, tão simples, ganham um significado especial quando os corações estão mais abertos, e a vibração no ar se torna mais leve e acolhedora.

Por meio destas palavras, quero que se sintam abraçados por mim. Agradeço profundamente por cada um de vocês fazer parte da minha vida, por me inspirarem de diversas maneiras e por contribuírem para a construção de quem sou.

Em minha pequena e sincera compreensão, acredito firmemente que Deus coloca as pessoas em nosso caminho com propósito. Mesmo quando a empatia não parece estar presente, sei que há um aprendizado a ser vivido, mesmo que o processo de convivência seja desafiador.

Neste momento de reflexão, compartilho com vocês meus mais sinceros votos de paz, alegria, fé e perseverança nesta jornada que todos nós estamos trilhando. Sabemos que o caminho do crescimento e da iluminação não é fácil. Às vezes, ele é marcado por lágrimas e dificuldades, mas sempre, sem dúvida, valerá a pena para aquele que, com amor e humildade, se empenha em superar os obstáculos.

Tudo passa, mas o que realmente permanece para a eternidade são as nossas ações, sejam elas boas ou não. Eu gostaria de ser lembrado pelas boas ações que pude realizar ao longo da vida. E se, por algum motivo, não for esse o caso, peço humildemente o perdão de quem possa ter me magoado. Se errei, foi sempre na tentativa de fazer o bem, e sei que ainda estou aprendendo.

Quanto às mágoas, elas não têm espaço em meu coração. Carrego todos com muito carinho e gratidão, pois cada um de vocês tem uma parte importante na minha jornada.

Envolto em uma imensa gratidão, envio a todos um grande e fraterno abraço. Estamos unidos pela força do destino que nos trouxe até aqui e, juntos, continuaremos a construir um futuro melhor.

Paz e Alegria,
Daniel

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Em viagem

Queridos Irmãos e Irmãs,

Um dos maiores desafios em nossa jornada na vida material está na constância dos nossos passos e nas escolhas que fazemos a cada momento. Nossa fragilidade, somada ao imediatismo e aos achismos, nos leva muitas vezes a traçar planos, criar expectativas e assumir compromissos pesados. Porém, muitas vezes, abandonamos tudo isso e começamos novamente do zero, repetindo esse ciclo incessante até que, um dia, nos percebemos sem a energia vital que antes tínhamos, ou sem as ferramentas que antes estavam à nossa disposição, mas que foram desperdiçadas pela falta de reflexão.

É como o viajante que recebe todo o combustível necessário para a viagem, com um carro revisado e confortável, pronto para seguir em segurança, conforme o plano que fez junto ao seu financiador. O GPS está programado, as placas indicadoras estão no lugar, os hotéis já foram reservados e os restaurantes recomendados, garantindo que tudo ocorra bem. Ele se sente feliz, pois está prestes a realizar a viagem dos seus sonhos, aquela para a qual trabalhou tanto. Mas, após alguns dias, encontra o trânsito, estradas difíceis, buracos que exigem sua atenção e reduzem sua velocidade. Começa a desanimar, perde a motivação que o moveu no início e, então, decide mudar o caminho e até o destino, abrindo mão das seguranças que tinha, correndo o risco de não ter mais combustível para chegar, nem um carro que o suporte, nem os recursos necessários.

Essa história é muito parecida com a vida. O nosso financiador é Deus, o nosso carro é o corpo, o combustível é a fé, o GPS são os nossos ideais e a programação que nos guia, as placas são os sinais representados pelos momentos da vida, os hotéis são as experiências profissionais que devemos abraçar e a alimentação são as pessoas com quem temos compromissos. E a viagem, essa nova jornada que a misericórdia de Deus nos concede.

O trânsito representa os sentimentos que precisamos aprender a lidar; a estrada difícil são os desafios cotidianos, seja no trabalho, na família ou nos relacionamentos; os buracos são as decepções que corrigem nosso orgulho e egoísmo. Esses percalços, se não forem tratados com carinho e atenção, podem nos desviar do caminho e fazer com que, desanimados, abandonemos a jornada. No impulso de usar o livre-arbítrio, corremos o risco de perder de vista a caminhada que nos levaria à realização de grandes bênçãos.

Todos nós já começamos essa viagem. E você, assim como eu, pode se perguntar: "Estou no caminho certo?" Se você consegue responder positivamente, com a tranquilidade de uma alma que cumpre suas responsabilidades, bem-aventurado é. Mantenha seus passos firmes, alimente sua fé que o trouxe até aqui e siga em frente, sem desanimar. Talvez o trânsito pesado de agora passe, os buracos desapareçam, e mais adiante você encontrará um oásis de descanso e renovação, trazendo alegria e paz para o seu coração. Então, você verá como tudo valeu a pena. As refeições serão saborosas, e você estará fortalecido depois de superar as longas distâncias.

Se, por outro lado, você tem dúvidas ou já percebe que não está no caminho certo, não se desespere. Você também chegou a um momento importante. Talvez esteja sendo convidado a parar e refletir. Se desviou do caminho por invigilância, orgulho ou egoísmo, ou mesmo por falta de atenção aos sinais, nada está perdido. O que é preciso agora é identificar onde o erro aconteceu, entender o porquê dele e como corrigi-lo. Depois, com paciência, pegue o telefone e ligue para o seu Financiador. Como dizem, Ele é bondoso com aqueles que se arrependem e buscam replanejar sua jornada.

E lembre-se, o telefone é a prece, e o número é a sinceridade de uma alma que deseja retomar seu caminho.

Desejo a todos uma boa viagem.

Paz e Luz,

Daniel d'Assis
Madrugada de Quinta-Feira, 20 de Novembro de 2014

sábado, 14 de junho de 2014

O Divino movimento da vida

A resistência à espera e a inclinação ao imediatismo são desafios profundamente humanos. Vivemos em um mundo que exalta a rapidez e a obtenção imediata de resultados, mas a verdade é que o tempo segue seu curso, alheio à nossa vontade. A espera, por sua natureza, nos desafia a encarar uma realidade inescapável: não controlamos o tempo nem o ritmo dos desdobramentos de nossas ações.

Essa constatação nos conduz a uma lição fundamental. Enquanto tentamos apressar os resultados, esquecemos que o tempo tem um propósito educativo. Ele nos ensina a paciência, a confiança no processo e a humildade para aceitar que nossos limites são parte da jornada. Assim, em vez de resistirmos à espera, podemos começar a reconhecê-la como uma oportunidade de crescimento e reflexão.

Também é importante compreender que as pessoas ao nosso redor têm seus próprios ritmos. Cada indivíduo percorre um caminho único, com tempos e aprendizados específicos. Não cabe a nós impor o ritmo de nossa jornada aos outros, mesmo que estejamos certos de que nossas decisões apontam para caminhos positivos. A verdadeira transformação é pessoal e intransferível; ela nasce da experiência vivida, das reflexões internas e do tempo necessário para amadurecer.

Essa liberdade para trilhar o próprio caminho não é apenas um ato de respeito, mas também uma demonstração de confiança na capacidade do outro de encontrar suas respostas. Impor ideias ou forçar decisões pode até acelerar um resultado imediato, mas raramente gera mudanças duradouras e profundas. Somente quando a compreensão vem do interior, as raízes do aprendizado se tornam fortes o suficiente para sustentar uma transformação genuína.

Por isso, é essencial vivermos cada momento com intenção e consciência, valorizando tanto os desafios quanto as conquistas. São nossas escolhas, somadas às lições que aprendemos ao longo do caminho, que moldam o legado que deixaremos. Esse legado não se mede pelo que acumulamos ou realizamos em termos materiais, mas pela riqueza de experiências que compartilhamos, pelas vidas que tocamos e pelas sementes de bem que plantamos.

Ao final, o propósito maior de nossa existência se revela não na pressa em atingir metas, mas na maneira como vivemos o processo. Se conseguirmos transformar cada oportunidade em um aprendizado e cada obstáculo em um degrau para o crescimento, estaremos cumprindo nossa missão de forma plena.

Que a paciência nos acompanhe, que a sabedoria nos guie e que a fé nos fortaleça para viver com plenitude, independentemente do ritmo do tempo ou das decisões alheias. Afinal, é na entrega ao fluxo natural da vida, que é Divino, que encontramos a paz e a realização que tanto buscamos.

Paz e Luz!